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Aspectos Históricos
e Inserção Regional
Apesar de inexistirem registros precisos a respeito
dos habitantes da área onde se insere o município
no período pré-colonial, sabe-se, por
pesquisas arqueológicas, que a região
foi ocupada nos séculos passados por grupos pré-ceramistas
e ceramistas, nômades e semi-nômades. Fontes
etno-históricas apontam que os grupos indígenas
Kaiapós (Setentrional) ocuparam amplamente o
Triângulo Mineiro nos últimos séculos,
até a chegada dos colonizadores.
Segundo ALVES (1992), os estudos de impacto ambiental
para a instalação de várias hidrelétricas
na região mostraram uma “diversidade cultural
e temporal de populações ceramistas/horticultoras
e caçadoras/coletoras que ocuparam as regiões
do Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro em
tempos pré-coloniais, ou seja, de 670 ±
50 anos antes do presente a 7 300 ± 80 anos a.p.
- populações extintas e sem escrita.”
(ALVES, 1992, p. 27-47)
Segundo consta, o povoamento da região onde hoje
se localiza o município, pelo homem branco, teve
início no século XVIII, em especial a
partir de 1736, quando, por ordem do governador Martinho
de Mendonça, foi aberta a Picada de Goiás,
no trecho que saía de Pitangui rumo a noroeste,
tendo sido concedidas sesmarias para localização
de estâncias ao longo da Picada, onde também
foram se formando pontos de parada e abastecimento.
De qualquer forma, admite-se que todo o território
já era conhecido desde o final do século
XVI pelos brancos, que vinham da Vila de São
Paulo com objetivos de conquista, não de povoamento.
Assim, sabe-se que chegaram ao Triângulo, Alto
Paranaíba e Noroeste Mineiro as bandeiras de
Domingos Luís Grou (1586-1587), Antônio
Macedo (1590), Domingos Rodrigues (1596), Domingos Fernandes
(1599) e Nicolau Barreto (1602-1604).
O trânsito de bandeiras pela região relacionava-se
à presença de vários caminhos para
as minas de Goiás, que faziam junção
nas proximidades do atual município de Paracatu,
localizado no Noroeste de Minas.
Segundo BARBOSA, citado por MELLO: “Em 1736, quatro
diferentes caminhos para Goiás passaram a fazer
junção em Paracatu: A Picada de Goiás,
cuja construção foi permitida por despacho
do Governador Gomes Freire de Andrada, de 8 de maio
de 1736; a de Pitangui a Goiás, também
autorizada em 1736 ao requerente Domingos de Brito e
seus sócios; a que passava por São Romão,
onde desembocavam caminhos de Minas, Bahia e de Pernambuco;
e o caminho que transpunha o São Francisco na
passagem do Espírito Santo, nas proximidades
da barra do Rio Abaeté. A Picada de Goiás
e a que passava por São Romão eram as
mais freqüentadas.”
(MELLO, 1994, p. 61)
Outro fator de ocupação foi a doação
de sesmarias na região, principalmente sob os
argumentos de povoamento e proteção de
terras tão valiosas contra o “gentio bravio”.
Foram sendo formadas fazendas, onde a criação
de bovinos conviveu, já como atividade econômica,
com a exploração aurífera presente
em algumas localidades.
A região hoje conhecida como Triângulo
Mineiro e Alto Paranaíba foi denominada, à
época das bandeiras, de Sertão da Farinha
Podre, em virtude do fato de que alimentos estocados
pelos comboios eram encontrados deteriorados, quando
de seu regresso. Até 1816, o Sertão da
Farinha Podre pertencia à capitania de Goiás,
só então passando à capitania das
Minas Gerais, através de alvará do rei
D. João VI.
Especificamente no que se refere ao município,
não há fontes oficiais que permitam estabelecer
com certeza a data de seu povoamento. De acordo com
a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros:
“Tudo faz crer (...) tenham sido os bandeirantes
na ida ou na volta da lendária marcha para o
Oeste os primeiros brancos a pisarem o local. Ou, talvez,
escravos fugidos, pois há, no município,
lugar outrora já denominado ‘Quilombo’”.
(IBGE. Enciclopédia dos Municípios
Brasileios. Verbete Frutal)
Segundo a tradição oral, o topônimo
da cidade está ligado à abundância,
nas margens dos ribeirões da área, de
um fruto semelhante à jabuticaba e que era conhecida
pelos moradores simplesmente como "fruta".
Em decorrência, o local que cresceu nas proximidades
passou a ser conhecido como Patrimônio das Frutas,
depois como Carmo do Fructal e hoje, simplesmente
Frutal.
Os registros historiográficos mais antigos de
que se tem notícia indicam que o núcleo
inicial da atual cidade de Frutal teve origem com a
chegada à região, por volta de 1835,
de um homem chamado Antônio de Paula e
Silva. O citado forasteiro é reconhecido
localmente como o fundador do povoado às margens
do rio Grande, onde se instalou com a família
e seus escravos.
Antônio de Paula e Silva construiu uma capela
dedicada a Nossa Senhora do Carmo, ao redor da qual
formou-se um povoado, passagem obrigatória para
os que transitavam de São Paulo para Goiás
e Mato Grosso. Em seus primórdios, o lugar tinha
como atividade econômica fundamental a criação
pecuária, sendo que o povoamento da região
teve como móvel principal a agropecuária
para abastecimento de bandeiras, viajantes e localidades
de exploração aurífera.
A chegada de numerosas pessoas que se fixaram no povoado
favoreceu o seu rápido crescimento, passando
à categoria de Arraial em 1850. Em 1854,
foi incorporado ao Município de Uberaba
e, em 14 de maio de 1858, elevado à condição
de "Distrito de Paz".
Em 5 de outubro de 1885, de acordo
com Lei n.º 3325, o distrito foi emancipado
e elevado à categoria de Vila, denominada Carmo
do Fructal, desmembrando-se de Uberaba. Sua
elevação à categoria de Cidade
se deu a 4 de outubro de 1887, através da Lei
nº 3.464, já com o nome de Frutal.
Fonte:
Diagnóstico Municipal de Frutal – elaborado
pelo SEBRAE-MG

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